Eclipse

 




Naquela noite

o céu esqueceu como ser céu.


A lua avançou lentamente

como quem não invade 

como quem retorna.


E quando tocou o sol,

não houve grito,

não houve medo,

não houve fim.


Houve beleza.


Uma beleza tão funda

que abriu em mim

um lugar que eu não sabia

que existia. 


Disseram 

que Osíris caminhava pela Terra,

como um rei cansado

visitando o que um dia foi seu.


E fez sentido.


Porque tudo parecia antigo,

solene,

inevitável,

como se o mundo inteiro

estivesse lembrando de algo.


No lado oposto do céu,

onde deveria haver apenas noite,

abriu-se uma ferida de estrelas.


A Via Lactea não era branca,

nem distante,

nem inocente.


Era vermelha.


Vermelha como se estivesse viva.

Vermelha como se sangrasse luz. 

Vermelha como um coração exposto

do universo.


Eu chamei as pessoas.


Olhem.


Mas elas não olharam.


Estavam paradas,

imóveis,

presas a um tempo que já tinha ido embora,

como estátuas de um mundo

que não percebeu que mudou.


Então entendi

que nem todo milagre é coletivo.


Alguns são solitários

como o nascimento

e como a morte.


E ali, entre um sol oculto

e uma galáxia em chamas,

eu chorei.


Não de tristeza.

Não de medo.


Mas daquela dor doce

de quando algo em nós

se torna grande demais

para caber no corpo. 


Parecia que o céu dizia:


Veja.

Veja antes que volte a ser comum.

Veja quem você é quando ninguém mais vê.


E por um instante impossível

eu soube 

sem palavras, sem lógica, sem dúvida 


que algo havia terminado

sem fazer barulho,


e algo imenso

havia começado

sem pedir permissão. 


Quando a luz voltou

e o céu reaprendeu a ser céu,


nada estava destruído.


Mas também

nada

era exatamente o mesmo.


Principalmente eu.

Lembra?


 

Lembra que conversávamos o dia todo?

Em momentos tranquilos

Em momentos delicados

Em momentos turbulentos.


Agora.

Não há mais o que conversar.

Perdeu o sentido



Não sei.

Parece que eu não quero acreditar.

Mas está tudo se montando na minha frente

E faz sentido…


É tão impactante 

Que eu tenho medo de admitir.

É tão forte 

Que eu me nego a acreditar.


Não é sobre EU cuidar do meu coração

É sobre ver que quem tinha posse do cuidado

Não tem cuidado algum.


E por que continuar?

Porque continuar levando pancada no meu coração?


Não faz mais sentido.

Giorgio #3

 


Meu amor por ti é tão grande 

Que cura em mim a ferida de todos os outros amores que presenciei antes de ti. 

Essa noite é minha iniciação 

Essa é minha noite de cura 

De ressignificação 


Não há razão de continuar uma vida como outrora 

Se a vida contigo é outra 

Com muito mais valor 

Com muito mais propósito 

Com muito mais amor


Essa noite eu deixo para trás toda e qualquer

Dor que um dia já senti 

Por algo, por alguém 


Hoje eu corto toda e qualquer corrente que nos liga ao peso da nossa ancestralidade 

À dor 

À culpa. 


Eu quebro e encerro do ciclo de repetição

Para que você possa ser livre 

Voar longe 

Alçar grandes voos 

Sem pesos, sem comparações 

Sem dores 

Sem repetições 


Você merece o caminho limpo 

Livre de culpas 

De Dores 

De faltas.


Você merece o maior amor 

E eu sempre darei o melhor amor que há dentro de mim. 


Eu amo você, meu filho! 

Com amor da sua mamãe! 

Giorgio #2

 


Meu filho

Estou aprendendo a ver um novo mundo 

Assim como vc o está conhecendo. 


O que eu via, passou

O que eu sentia, passou 

O que eu vivi, passou


Quando eu olho profundamente em seus olhos

Eu vejo a luz 

A luz do novo 

da pureza 

Do encanto 


Quando vejo seu sorriso 

Me desdobro em mil 

Me admiro com a simplicidade 

Me admiro com o amor calmo e grandioso 

Que sempre terei por você 


O mundo é pequeno diante da tua grandeza 

Da tua bondade 

Da tua gentileza

Do teu sorriso 

Do teu amor 

Da tua voz 

Do teu coração 


Amo te ver dormir 

Como estou fazendo agora 

E amo te ver acordar e sorrir 

Como você faz todas as vezes 


Gratidão por existir. 

Gratidão por me ensinar tudo que eu achei que sabia, mas só compreendo quando te pego nos braços e te amo profundamente 


Eu amo você! 

Com amor, sua mamãe!